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Tesouro Direto alcança vendas recordes e soma 14,79 bilhões de reais em março

Investidores priorizam títulos pós-fixados e programa atinge mais de 35 milhões de participantes

27/04/2026 às 20:10
Por: Redação

Em março, as vendas de títulos públicos federais para pessoas físicas por meio da internet atingiram o maior patamar já registrado desde a implementação do Tesouro Direto em 2002. O volume negociado chegou a 14,79 bilhões de reais no mês, superando todos os meses anteriores do programa.

 

O montante comercializado em março foi 79,2% superior ao total registrado em fevereiro, quando as vendas do Tesouro Direto totalizaram 8,2 bilhões de reais. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve aumento de 26,5% nas vendas.

 

O fator predominante para esse resultado foi o vencimento de 7,07 bilhões de reais em títulos corrigidos pela Selic, índice que representa a taxa básica de juros da economia. Investidores optaram por realizar a troca desses papéis por outros títulos de mesma modalidade.

 

Antes deste resultado, o recorde mensal do Tesouro Direto havia ocorrido em janeiro deste ano, ocasião impulsionada pela substituição de títulos prefixados vencidos por outros papéis disponíveis.

 

Preferência por títulos atrelados à Selic impulsiona volume

Os investidores demonstraram maior interesse nos títulos vinculados à taxa Selic, que representaram 52,7% das vendas totais em março. Os papéis indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acompanham a inflação, corresponderam a 24% do volume, enquanto os títulos prefixados, cujos juros são definidos no momento da emissão, responderam por 15,1% das negociações.

 

O Tesouro Renda+, lançado no início de 2023 para contribuir com complementação de aposentadorias, respondeu por 6,5% das operações do mês. Já o Tesouro Educa+, título criado em agosto de 2023 com objetivo de formar poupança para custear o ensino superior, foi responsável por 1,6% das vendas em março.

 

A procura por títulos atrelados à taxa Selic decorre do elevado patamar deste índice. Segundo os dados, a Selic estava em 10,5% ao ano até setembro de 2024, mas atualmente está fixada em 14,75% ao ano, o que mantém os papéis atrelados a juros básicos em posição de destaque junto aos investidores. Os títulos que acompanham a inflação também têm atraído participantes do programa, diante da expectativa de aumento do índice oficial nos próximos meses.

 

O estoque total do Tesouro Direto atingiu 234,42 bilhões de reais no final de março, superando em 3,29% o volume do mês anterior, que era de 226,93 bilhões de reais. Em relação a março do ano passado, houve aumento de 41,99%, quando o estoque somava 165,09 bilhões de reais. Esse crescimento foi resultado da correção dos títulos pelos juros e do fato de as vendas terem superado os resgates em 3,78 bilhões de reais durante março.

 

Perfil dos investidores e operações realizadas

O Tesouro Direto registrou adesão de 288.041 novos participantes em março, elevando o total de investidores cadastrados a 35.097.988. Nos últimos doze meses, o número de investidores apresentou crescimento acumulado de 9,78%. Entre eles, 3.418.225 possuem operações em aberto, o que representa aumento de 15,97% no período de um ano.

 

O programa segue sendo bastante utilizado por pequenos investidores. Das 1.224.134 operações de venda realizadas no mês de março, 73% foram em valores de até cinco mil reais. As aplicações de até mil reais corresponderam a 45,6% do total de operações. O valor médio de cada operação negociada foi de 12.083,06 reais.

 

Houve predominância de vendas de títulos com prazo de até cinco anos, que somaram 58,2% do total negociado. Transações envolvendo títulos com vencimento entre cinco e dez anos corresponderam a 20,9%, mesma proporção dos papéis com prazo superior a dez anos.

 

Funcionamento do Tesouro Direto e captação pelo governo

Criado em janeiro de 2002, o Tesouro Direto tem como objetivo ampliar o acesso de pessoas físicas à compra de títulos públicos federais, permitindo a aquisição direta pela internet, sem necessidade de intermediários financeiros.

 

Para investir, o participante arca apenas com uma taxa cobrada pela B3, a bolsa de valores do Brasil, recolhida nas movimentações dos títulos. A venda de títulos públicos é uma das ferramentas utilizadas pelo governo para captar recursos, com compromisso do Tesouro Nacional de devolver o montante aplicado acrescido de rendimentos, que podem variar conforme a taxa Selic, índices de inflação, variação cambial ou uma taxa previamente definida em títulos prefixados.

 

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